
Assistência Social não é favor, é direito
Uma das faces da desigualdade social mais associada à política pública de Assistência Social tem sido a entrega de benefícios materiais, como cestas básicas, enxovais de bebês, urnas funerárias, colchões e kits de higiene em situações de calamidade, entre outros. Essa visão é, em grande medida, construída pela observação de práticas institucionais e pelo histórico dos benefícios assistenciais nos municípios brasileiros. Recentemente, dialogamos sobre isso no seminário regional “SUAS na Prática”, realizado em Ilha Solteira (SP). Neste texto trago algumas reflexões para ampliar a compreensão sobre o direito aos benefícios na Assistência Social a partir de um conceito de Chimamanda Adichie, escritora nigeriana, quando ela explica que “a história única cria estereótipos” em uma palestra do TED Talks, com milhões de visualizações. No caso dos benefícios materiais concedidos pela Assistência Social, a associação entre pobreza material e estigmas morais construiu uma “história única” repleta de estereótipos sobre aqueles que acessam tais benefícios, por exemplo, “são pessoas pobres que se acomodam com benefícios do governo; que mentem para poder acessar os benefícios; que preferem receber os benefícios a trabalhar.” Todas essas histórias únicas partem de um ponto: a negação de qualquer possibilidade de reconhecimento do outro como um ser humano igual ... Continuar Lendo








