Proteger é garantir direitos: o papel estratégico do SUAS no Maio Laranja
Neste mês, as campanhas do Maio Laranja mobilizam a sociedade no enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes. Nos debates de que temos participado, temos insistido em uma reflexão urgente: ainda tratamos essa violência como algo excepcional, episódico e distante da realidade social brasileira. No entanto, ela atravessa de forma silenciosa e cotidiana a vida de muitas crianças, adolescentes, mulheres e famílias. Enfrentar essa realidade exige mais do que campanhas pontuais. Exige uma gestão pública comprometida com a construção de respostas contínuas, éticas e qualificadas no cotidiano do SUAS. Neste debate, temos destacado três questões centrais. A primeira é a necessidade de desmistificar o tema. A violência sexual contra crianças e adolescentes ainda é cercada por tabus, silêncios e subnotificação. Muitas vezes, permanece invisível até mesmo dentro dos serviços. Romper com essa lógica é fundamental para que a proteção aconteça de forma efetiva e para que as vítimas encontrem espaços seguros de escuta e acolhimento. A segunda questão diz respeito à responsabilidade dos serviços e das instituições. Muitas intervenções realizadas em nome da proteção acabam produzindo ainda mais sofrimento, rupturas e violências. O encaminhamento para o acolhimento institucional como resposta automática, desconsiderando vínculos afetivos, trajetórias e relações comunitárias, não ... Continuar Lendo



