Para refletir sobre práticas de cuidado no SUAS e como desenvolver ações coerentes com a direção de proteção dessa política pública, consideramos estratégico afirmar a sua especificidade. Pois, assim como outras atenções necessárias aos direitos humanos, as práticas de cuidado estão presentes em diferentes políticas públicas.
Como política setorial, o SUAS mantém suas características para responder às necessidades humanas. E para dar conta dessa tarefa, os serviços socioassistenciais cuidam do sofrimento humano na sua dimensão relacional, conhecendo e enfrentando os impactos da desigualdade que gera diferentes vivências nas pessoas como humilhações, desqualificações e outros tipos de violências.
Essas vivências ou sofrimentos sociais devem ser cuidadas nos serviços por meio de ações que visam garantir as seguranças de convivência, de acolhida e de autonomia.
As estratégias de cuidado são as mais diversas possíveis e não estão restritas à escuta, momento que normalmente identificamos como acolhedor e protetivo.
- Cuidar pode ser conectar as pessoas com vivências similares em um grupo, para que elas não se sintam só;
- Cuidar pode ser aprender uma música ou uma comida de outro lugar, para valorizar cultura e saberes de imigrantes;
- Cuidar pode ser ouvir histórias de vida;
- Cuidar pode ser também ajudar em um banho ou na alimentação quando há dificuldades para fazê-lo.
- Cuidar pode ser celebrar a vida de uma criança recém-chegada à uma família, o retorno de alguém que esteve fora durante um tempo e pode ser também, estar presente nos momentos de luto.
Por fim, cuidado é respeito à dor e à humanidade das pessoas e a proteção tem a ver com reconhecer necessidades e não ser indiferente a elas.
Lembrando que, humanizar a atenção para fazer companhia, para dividir responsabilidades de cuidados, para proteger, não se confunde com tutela. É a demanda expressa por sujeitos que define o que precisa ser feito.
É fundamental que nos serviços do SUAS saibamos o que precisa ser feito para cuidar e qual a finalidade deste fazer, para que a ação transmita respeito e valorização de quem é cuidado.
Abigail Torres, sócia diretora da Vira e Mexe









