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Educação Permanente: formação para redesenhar o PAIF e o PAEFI em Minas Gerais

De julho de 2024 a julho de 2025, a Vira e Mexe conduziu uma jornada de formação que nos marcou profundamente: 150 profissionais da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese) foram capacitados para reimaginar o trabalho com famílias no PAIF e no PAEFI. Não se tratou de um curso tradicional — foi uma experiência de ruptura, construída para transformar práticas, leituras de território e modos de atuação.

A formação foi estruturada em três turmas sequenciais, todas ancoradas em princípios de educação permanente e participação ativa. Cada grupo percorreu um ciclo desenhado com intencionalidade pedagógica: – 24 horas de oficinas presenciais intensivas, – 16 horas de seminários virtuais com metodologias colaborativas, – ciclos de estudo orientados, – diálogos contínuos entre teoria e prática.

Cada encontro fez a ponte entre conceitos e a vida real dos CRAS, CREAS, territórios, equipes e famílias — os lugares onde a política de Assistência Social realmente acontece.

O eixo que guiou todo o percurso foi uma convicção simples e profunda que orienta os trabalhos da Vira e Mexe: educação permanente só tem sentido quando nasce dos desafios concretos do trabalho. Por isso, exploramos temas estruturantes como segurança relacional, desproteções relacionais e a dimensão coletiva das políticas públicas — conceitos que só ganham força quando confrontados com a complexidade viva dos territórios.

Os resultados confirmaram a potência dessa abordagem: 87% de conclusão, satisfação acima de 90%, fortalecimento das redes de prática, profissionais mais motivados e novas propostas surgindo a partir das próprias equipes. Mas a métrica mais valiosa foi outra: 150 profissionais conscientes de que enfrentar desigualdades é sempre uma tarefa coletiva, interdisciplinar e transformadora.

Esta jornada formativa foi marcada por uma inovação: introduzimos o conceito das “linhas de proteção”, inspirado no SUS e adaptado ao SUAS para fortalecer a atenção longitudinal, a continuidade do cuidado e a responsabilidade compartilhada entre serviços. O objetivo foi estimular a substituição de ações fragmentadas por processos de maior integração e corresponsabilidade.

Porque a política de Assistência Social não é um campo de soluções pontuais. É um campo de reconstrução de dignidade, de fortalecimento de vínculos e de novas possibilidades de vida. E quem trabalha nisso merece processos formativos à altura de sua missão.

Por fim, reafirmamos o princípio que orientou toda a jornada: educação permanente não é transmissão de informações — é transformação coletiva. Uma transformação que só acontece quando a formação dialoga com o cotidiano, escuta os territórios e reconhece que é ali, junto às pessoas, que o SUAS pode de fato mudar vidas.

Maju Azevedo, sócia diretora da Vira e Mexe

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