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Como estudar serve para se comprometer com a vida que pulsa?

Nos grupos de estudo desenvolvidos pela Vira e Mexe, estudar não é apenas ler ou discutir textos, é um compromisso com a vida que pulsa nos territórios, com os desafios que se apresentam nas histórias, nos relatos dos participantes e nas experiências concretas das pessoas atendidas pelos serviços. A cada encontro, buscamos dialogar com a teoria e com a prática, aprendendo com os saberes que já existem e com as ações que já estão sendo realizadas. É nesse espaço que o estudo se transforma em reflexão, inspiração e ação. Como diz bell hooks, intelectual negra americana:

“Têm acontecido muitos momentos silenciosos, mas radicais e revolucionários, de transformação de pensamento e de ação. […] Quando apenas apontamos o problema, quando expressamos nossa queixa sem foco construtivo na resolução, afastamos a esperança.”

Uma dessas experiências foi compartilhada em vídeo pelo educador Bim, trabalhador de um Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos em Belo Horizonte. Ele relata a vivência de um adolescente que compartilhou com o grupo a dor de ter sua casa invadida pela polícia — uma realidade muito presente nas periferias brasileiras. Trouxemos esse relato “silencioso, mas radical e revolucionário” como inspiração para reafirmar três dimensões essenciais do planejamento no trabalho social:

  1. Planejar a partir da vida que pulsa, que corre entre becos e vielas nos territórios deste país. Isso significa não naturalizar a violência e não banalizar o sofrimento — sobretudo quando ele é causado pelo próprio Estado.
  2. Criar estratégias para disseminar informações que subsidiem a luta por direitos.
  3. Aproximar-se dos movimentos sociais que enfrentam essas questões e produzem metodologias potentes de resistência e cuidado.

Ao assistir ao vídeo do Bim, muitos de nós fomos atravessados pela delicadeza e pela firmeza do trabalho dele e sua equipe. Eles nos lembram que trabalhar no SUAS é também responder à vida que se apresenta, partindo dela para criar práticas de aprendizado coletivo e capazes de fortalecer vínculos e reafirmar o direito à uma vida digna e protegida.

Bim compartilhou conosco que um dos materiais usados para ampliar o aprendizado da equipe diante de situações como aquela vivida pelo adolescente, foi o Guia de Direitos Humanos – conduta ética, técnica e legal para instituições policiais militares -, elaborado pelo Programa de Apoio Institucional às Ouvidorias de Polícia e Policiamento Comunitário da Secretaria Especial de Direitos Humanos (clique aqui para conhecer).

É nesse sentido que seguimos estudando para que o estudo seja também prática de esperança, uma esperança ativa e comprometida com a vida que pulsa nos territórios.

Para compartilhar suas experiências, aprender com muitas outras e estudar, acompanhe a programação das próximas datas do grupo de estudos da Vira e Mexe.

Yheda Gaioli, assistente social, faz parte da equipe Vira e Mexe

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