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O trabalho do educador social acontece no encontro

Em agosto, fizemos uma roda de conversa virtual com a equipe do SEAS – Serviço Especializado de Abordagem Social, que atua com pessoas em situação de rua no município de Contagem (MG). Ao longo do diálogo, entre relatos sobre o cotidiano do trabalho, situações vivenciadas na rua e aprendizados construídos junto aos colegas, aparece uma dimensão fundamental da atuação no SUAS: o conhecimento que se produz no próprio encontro.

As falas ajudam a evidenciar uma dimensão do trabalho dos educadores sociais que muitas vezes recebe menos visibilidade: a criação cotidiana de estratégias de aproximação e construção de vínculos de confiança.

São profissionais que conhecem a dinâmica do território, acompanham as pessoas, percebem mudanças, identificam possibilidades de diálogo e constroem formas de chegar que fazem sentido para cada situação.

Esse conhecimento não é improviso. É um saber profissional construído na experiência, na escuta, na observação e na relação com o outro.

Mais do que aplicar técnicas ou seguir encaminhamentos, o educador social está constantemente diante de situações que exigem presença, escuta e capacidade de construir caminhos a partir de cada realidade.

Na experiência da equipe do SEAS/Contagem, essa construção começa pela forma de chegar.

“Quando a gente chega na informalidade, com um jeito de falar, com uma brincadeira, a gente quebra um pouco daquele gelo. A gente cria um ambiente confortável para que eles se abram com a gente, apresentem as demandas e que a gente consiga fazer um trabalho mais técnico de encaminhamentos posteriormente”, conta Anderson Rodrigues do Nascimento, psicólogo da equipe.

A linguagem, o humor, a disponibilidade para sentar e conversar e até a escolha de quem fará determinada abordagem fazem parte de um repertório que os trabalhadores desenvolvem no cotidiano. São estratégias que nem sempre estão descritas em um protocolo, mas que fazem diferença na construção do vínculo.

O vínculo como ferramenta de trabalho

Para a equipe, construir vínculo também significa reconhecer os limites e as escolhas do cidadão atendido.

Mesmo quando não existem paredes, portas ou campainhas, existe um espaço que precisa ser respeitado. Antes de se aproximar, a equipe pergunta se pode chegar, se a pessoa quer conversar. Quando a resposta é não, esse não também é acolhido.

“Ali pode não ter parede, pode não ter cerca. Mas antes de nos aproximarmos, eu já vou falando: podemos chegar? Você quer conversar conosco?”, relatou Simone Maria Coelho, assistente social da equipe.

Se naquele dia não há disposição para conversar, a equipe pergunta se pode voltar em outro momento. Esse gesto, aparentemente simples, carrega um aprendizado importante: estar em situação de rua não retira de uma pessoa o direito à privacidade, à escolha e ao próprio tempo.

O vínculo, nesse sentido, não é apenas uma consequência do trabalho. Ele é também uma ferramenta para que o trabalho possa acontecer.

Um saber que se constrói entre trabalhadores

A conversa também evidencia como os próprios educadores sociais aprendem uns com os outros. Simone conta que aprendeu muito com os monitores com quem trabalha e que, posteriormente, buscou levar esses aprendizados para quem chegou à equipe.

“Eu aprendi com a Ester a estar mais disponível, sentar, ouvir e deixar a pessoa falar.”

Ester Lariza Souza da Silva, educadora social, por sua vez, ressaltou o sentido que encontra nesse trabalho e como pequenos acontecimentos podem representar grandes conquistas no cotidiano:

“Às vezes não é nenhuma demanda de documentação, às vezes é conversar mesmo. Essa confiança é um olhar humano que a gente tem com eles e que faz toda a diferença.”

💬 E na sua experiência, os saberes e as metodologias dos educadores sociais têm são comparitlhados na equipe? Compartilhe nos comentários e ajude a ampliar essa conversa sobre os saberes que nascem da prática.

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