Neste mês, as campanhas do Maio Laranja mobilizam a sociedade no enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes. Nos debates de que temos participado, temos insistido em uma reflexão urgente: ainda tratamos essa violência como algo excepcional, episódico e distante da realidade social brasileira. No entanto, ela atravessa de forma silenciosa e cotidiana a vida de muitas crianças, adolescentes, mulheres e famílias.
Enfrentar essa realidade exige mais do que campanhas pontuais. Exige uma gestão pública comprometida com a construção de respostas contínuas, éticas e qualificadas no cotidiano do SUAS. Neste debate, temos destacado três questões centrais.
A primeira é a necessidade de desmistificar o tema. A violência sexual contra crianças e adolescentes ainda é cercada por tabus, silêncios e subnotificação. Muitas vezes, permanece invisível até mesmo dentro dos serviços. Romper com essa lógica é fundamental para que a proteção aconteça de forma efetiva e para que as vítimas encontrem espaços seguros de escuta e acolhimento.
A segunda questão diz respeito à responsabilidade dos serviços e das instituições. Muitas intervenções realizadas em nome da proteção acabam produzindo ainda mais sofrimento, rupturas e violências.
O encaminhamento para o acolhimento institucional como resposta automática, desconsiderando vínculos afetivos, trajetórias e relações comunitárias, não pode ser o único caminho possível. Retirar crianças e adolescentes de sua convivência cotidiana sem a devida reflexão também pode aprofundar processos de isolamento e sofrimento.
O terceiro ponto que temos ressaltado junto às equipes de gestão e de serviços é a necessidade de repensar práticas, qualificar equipes e fortalecer respostas que protejam e sejam efetivamente comprometidas com a garantia de direitos.
É justamente nesse contexto que o papel da gestão do SUAS se torna central. Uma gestão comprometida fortalece, diariamente, três funções fundamentais da assistência social.
A primeira delas é a vigilância socioassistencial. Produzir informações sobre as violências, compreender as dinâmicas dos territórios e acompanhar os resultados dos serviços são ações essenciais para tornar esse fenômeno visível e construir respostas mais adequadas às realidades locais.
A segunda função é a defesa de direitos. Mobilizar a sociedade, ampliar o debate público e retirar a violência do lugar do silêncio e da invisibilidade também fazem parte da proteção social.
E a terceira é a própria proteção social: organizar processos de trabalho, garantir educação permanente às equipes e construir atendimentos contínuos, éticos e humanizados para crianças, adolescentes e famílias expostas a essas violências.
Proteger não é apenas agir diante da violência já instalada. É construir, todos os dias, condições para que ela deixe de ser naturalizada e silenciada na sociedade brasileira. E, no seu município, como a gestão do SUAS tem atuado nesse enfrentamento cotidiano para garantir a proteção integral de todas as crianças e adolescentes?










