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Planejar para conhecer, conhecer para intervir: Quando básica e especial se encontram para proteger.

Em novembro de 2025, iniciamos um percurso de educação permanente junto às equipes dos serviços da Proteção Social Básica e da Proteção Social Especial do município de São Gotardo, no interior de Minas Gerais.

Ao longo dos encontros, trabalhadoras e trabalhadores dos serviços e da gestão municipal vêm construindo entendimentos comuns sobre a especificidade do trabalho no âmbito do SUAS. 

Nesse processo, as desproteções relacionais foram afirmadas como foco central da atuação, com o reconhecimento de que o abandono, o preconceito e a violência atravessam tanto os serviços da básica quanto da especial. 

Ganhou força, assim, a avaliação de que é necessário nomear essas desproteções para ampliar o olhar sobre as situações vividas pela população. Isto qualifica os modos de intervenção e contribui para definir com mais nitidez o lugar da política de Assistência Social.

As equipes também identificaram no processo de formação, a construção de um repertório mais consolidado para compreender os impactos dessas desproteções nas relações familiares. Ao mesmo tempo, reconhecem limites para analisar como elas se expressam nas relações comunitárias e na relação da população com os serviços públicos. Tornar esse limite visível não apareceu como fragilidade, mas como um ponto de virada importante do percurso formativo, orientando as próximas etapas do trabalho coletivo.

Esse movimento provocou um deslocamento do olhar: dos atendimentos tomados de forma isolada para uma leitura mais ampla do território, considerando o município em sua totalidade.

Agora, organizadas em grupos mistos, as equipes estão planejando ações de escuta direta da população. O objetivo é compreender, a partir da voz das próprias pessoas, os impactos da violência, do preconceito e do abandono em suas redes de apoio. Esse é um caminho fundamental para aprofundar a compreensão sobre como essas desproteções marcam as trajetórias de vida e, consequentemente, para refletir sobre as metodologias de trabalho que os serviços precisam desenvolver no acompanhamento da população.

O planejamento compartilhado fortalece o diálogo entre a Proteção Social Básica e a Proteção Social Especial e cria condições para um trabalho social orientado por uma leitura mais coletiva, situada e precisa do território. Seguimos acompanhando e construindo esse processo.

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