Vamos falar da participação das mulheres nos serviços da Assistência Social?


A médica do SUS, Julia Rocha, em seu livro “Pacientes que Curam”, faz uma pergunta aparentemente fácil de responder: “Quantas mães desnaturadas você conhece?” Mas a beleza cortante de seu texto emenda outra pergunta, essa talvez mais difícil: “a quantas você deu oportunidade de falar?”


Assim como no SUS, a participação nos serviços da Assistência Social é uma direção política e ética que precisa orientar a escolha das estratégias cotidianas do trabalho social. Portanto, as oportunidades de fala não estão dadas; são espaços construídos e mantidos “de propósito”, ou seja, como escolha deliberada que a equipe faz para ouvir vozes de mulheres que foram (e ainda são) silenciadas por gerações. Silenciadas hoje pelo rótulo da “negligência”, que tantas vezes encobre preconceitos e estigmas contra essas mulheres que, sem acesso a políticas públicas de proteção social, tem sequestradas suas falas.


Por isso, dizemos que o trabalho social nos serviços da Assistência Social é capaz de produzir uma mudança tão essencial: transformar falas silenciadas em narrativas legítimas de mulheres que vivenciam injustiças e constroem estratégias de resistência.


A participação tem tudo a ver com os resultados esperados dos serviços da Assistência Social, numa construção diária e contínua desde o processo de trabalho da acolhida até o acompanhamento. E, por ter uma relação direta com a qualidade da atenção ofertada às cidadãs usuárias, a reflexão sobre a participação é tão importante nos processos de educação permanente e na supervisão técnica para as equipes dos serviços da Assistência Social.

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