Intersetorialidade – admiração pela diferença

Tenho me dedicado a compreender mais profundamente a política de Assistência Social e sua atuação no enfrentamento às desproteções relacionais. Ao participar recentemente de um seminário na área de Educação, pude refletir sobre a necessária articulação entre profissionais da Assistência Social e da Educação para o enfrentamento do racismo institucional que permeia as instituições das duas políticas. Participei do V Seminário Internacional de Gestão Educacional – Recomposição e Avanço das Aprendizagens, promovido pelo Instituto Unibanco , em 28 de agosto. O encontro debateu a recomposição da aprendizagem como uma questão de grande relevância a partir da pandemia, dada a grave defasagem vivenciada por estudantes no Brasil e no mundo. Na abertura, Ricardo Henriques, superintendente do Instituto, chamou a atenção para um dado alarmante: em 2023, apenas 7% dos concluintes da educação básica apresentavam aprendizado adequado em matemática. Foram apresentados dados e narrados episódios que sustentam essa percepção: crianças e adolescentes negros têm uma aprendizagem 20% menor que os brancos, conforme evidenciado no SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica). Não pretendo refletir sobre todos os aspectos tratados no seminário, mas gostaria de destacar um ponto que tocou profundamente meus afetos e pensamentos. No evento, tive a oportunidade de ouvir a especialista ... Continuar Lendo
Intersetorialidade e corresponsabilização

Intersetorialidade e corresponsabilidade na gestão pública

Todas as políticas sociais têm que prover atenções ao cidadão. Ocorre que face à desigualdade social instalada entre os brasileiros, esta provisão deve ocorrer a partir das condições concretas diferenciadas e desiguais dos cidadãos e não do que seria suposto como adequado a que ele devesse dispor. Cobrar das políticas sociais a atenção a todos os cidadãos significa que cada uma delas inclua as condições reais de vida dos brasileiros independente da precariedade em que estejam vivendo. (SPOSATI, 2013:34 Para responder à complexidade da desigualdade social brasileira, sobretudo neste pós pandemia, “cada um fazer sua parte” não é suficiente ante à desigualdade estrutural que se agravou no tempo em que vivemos. A ação articulada entre diferentes políticas sociais é muito desafiadora. Enfrentar esse desafio  é urgente e necessário porque se, de um lado, cada política social deve alcançar o máximo o seu potencial, de outro, do ponto de vista da complexidade das situações vividas pelas pessoas, não será suficiente. Todas as políticas sociais são, desse ponto de vista, incompletas e dependem umas das outras. O reconhecimento da necessidade do fortalecimento de ações intersetoriais mais efetivas e capazes de assegurar proteção social aos adolescentes e jovens, geralmente, se apresenta como saída ... Continuar Lendo