
Comunicação e produção de autonomia na Assistência Social
A comunicação pública costuma ser associada quase exclusivamente à comunicação de governos — campanhas eleitorais, peças institucionais e divulgação de realizações. No entanto, ao escutar mais de perto as equipes que atuam na Assistência Social, torna-se evidente uma dimensão ainda pouco valorizada: a comunicação como direito humano dos cidadãos e como parte constitutiva do trabalho de agentes públicos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos define o direito à comunicação como aquele que assegura a liberdade de expressão, permitindo a todas as pessoas buscar, receber e difundir informações. No Brasil, esse reconhecimento ganhou densidade na Constituição Federal do Brasil, na Lei de Acesso à Informação, na criação de conselhos de políticas públicas e nas diretrizes de políticas setoriais como a saúde mental e a assistência social. Em todas elas há um horizonte comum: ampliar a participação de grupos historicamente destituídos do poder de fala. É necessário e urgente deslocar o eixo da comunicação pública. Ela não pode ser pensada apenas na direção de quem “informa” a população, mas também — e sobretudo — na direção de quem se deixa “informar” por ela. A intelectual e escritora afro-americana bell hooks nos ensina que a comunicação deve ser orientada por uma “dedicação coletiva ... Continuar Lendo



