
Cultura e arte como dispositivo de enfrentamento das violências e desigualdades sociais
Autor: Chico Cesar é jornalista, mestre em Serviço Social e mobilizador cultural 1. Convivência, Convívio e Proteção Social A convivência, segundo Abigail Torres*, é mais do que o simples estar junto. Ela é um campo de construção de vínculos, reconhecimento e reciprocidade — condição essencial para o exercício da proteção social. É na convivência que se tornam possíveis o cuidado, a solidariedade e o fortalecimento do tecido social. O convívio social implica reconhecer a pessoa na sua integralidade: corpo, emoção, memória e história. No campo da Assistência Social, a convivência é um dos eixos estruturantes das ações com crianças, adolescentes e jovens. Ela permite que o sujeito se reconheça como parte de uma comunidade e, ao mesmo tempo, seja reconhecido em sua singularidade. Quando aproximamos essa perspectiva do campo da cultura e da arte, percebemos que os espaços culturais das periferias cumprem uma função semelhante à da proteção social: eles produzem pertencimento, abrem caminhos para o diálogo e promovem laços afetivos e comunitários. A cultura, quando vivida coletivamente, é também uma forma de proteção e cuidado. 2. Cultura Periférica e Resistência A cultura periférica nasce da falta, mas produz abundância simbólica. Ela se constitui como resposta histórica à exclusão, transformando ... Continuar Lendo






